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Saturday, April 17, 2010

«Ele considera a arte e a ciência como os dons mais preciosos de Deus ao Homem»


Compare-se a posição da Igreja perante a música com a ortodoxia islâmica, e a de Ratzinger com a do ayatolah Khomeni em relação ao divertimento(1).

Via Pastoral da Cultura.

(1) - «Allah did not create man so that he could have fun. The aim of creation was for mankind to be put to the test through hardship and prayer. An Islamic regime must be serious in every field. There are no jokes in Islam. There is no humor in Islam. There is no fun in Islam. There can be no fun and joy in whatever is serious.»

Saturday, April 3, 2010

Crux Fidelis/Pange Lingua





Crux fidelis, inter omnes
arbor una nobilis:
nulla silva talem profert,
fronde, flore, germine.
Dulce lignum, dulces clavos,
dulce pondus sustinet.

Pange lingua gloriosi
lauream certaminis,
et super crucis trophæo
dic triumphum nobilem:
qualiter Redemptor orbis
immolatus vicerit.

Crux fidelis, inter omnes
arbor una nobilis:
nulla silva talem profert,
fronde, flore, germine.

De parentis protoplasti
Fraude Factor condolens,
quando pomi noxialis
in necem morsu ruit:
Ipse lignum tune notavit,
Damna lignus ut solveret.

Dulce lignum, dulces clavos,

dulce pondus sustinet.

Hoc opus nostræ salutis
Ordo depoposcerat:
Multiformis proditoris
Ars ut artem falleret:
Et medilam ferret inde,
Hostis unde læserat.

Crux fidelis, inter omnes
arbor una nobilis:
nulla silva talem profert,
fronde, flore, germine.

Ó Cruz fiel, entre todas
a árvore mais nobre:
Nenhum bosque produz igual,
em ramagens, frutos e flores.
Ó doce lenho, que os doces cravos
e o doce peso sustentas.

Canta, ó língua,
o glorioso combate [de Cristo],
e, diante do troféu da Cruz,
proclama o nobre triunfo:
a vitória conseguida pelo Redentor,
vítima imolada para o mundo.

Ó Cruz fiel, entre todas
a árvore mais nobre:
Nenhum bosque produz igual,
em ramagens, frutos e flores.








Ó doce lenho, que os doces cravos
e o doce peso sustentas.








Ó Cruz fiel, entre todas
a árvore mais nobre:
Nenhum bosque produz igual,
em ramagens, frutos e flores.

Crux Fidelis


El-Rei Dom João IV



Crux fidelis, inter omnes
arbor una nobilis:
nulla silva talem profert,
fronde, flore, germine.
Dulce lignum, dulces clavos,
dulce pondus sustinet.
Ó Cruz fiel, entre todas
a árvore mais nobre:
Nenhum bosque produz igual,
em ramagens, frutos e flores.
Ó doce lenho, que os doces cravos
e o doce peso sustentas.

Monday, March 29, 2010

Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música - ilustração (2)

Mais uma ilustração da diabólica proibição islâmica da música, in Jihad Watch:
«In a tiny workshop on the roof of his home in a Baghdad slum, Farhan Hassan works in secret, lovingly curving wood and tightening strings to make his ouds -- a traditional Arabic instrument.

Only close family and friends know what he is doing, because the militiamen in his neighborhood frown on such frivolities.

(...) [N]owadays few in the country play or make the oud, a pear-shaped, deep-voiced cousin of the lute. Hundreds of artists fled Iraq during the violence in recent years -- and continued instability and the power of religious hard-liners give them little desire to return....

Now Hassan is also hoping to leave Iraq. Like many of the estimated 2.5 million Shiites who live in Sadr City, he has had to cope with some of the city's worst living conditions. Militiamen have closed music stores, prohibited the mixing of the sexes, banned wedding parties, imposed the Islamic hijab on women and murdered gay men -- all while making a living as hired guns....

"I could have gone out on the streets carrying an RPG or a machine-gun and people would either take no notice or commend me on my courage," he mused. "But I would have probably been killed if I had gone out with an oud in my hand," he said with a laugh tinged with bitterness.»
Recomenda-se uma leitura, mesmo que na diagonal, dos comentários à entrada da qual retirámos estes excertos de uma notícia da AP, com destaque para o de Hugh Fitzgerald:

«If one follows strictly, to the letter, Islam, then music is to be banned. And in some settings this is true. For example, think of the vast corpus of sacred music, church music, in Christianity as compared to the complete absence of any analogous music in the mosque. The Muslim apologist (...) points to some examples of popular music and claims that this rebuts those who say Islam bans or at least discourages music, is ignoring the fact that not everyone is necessarily strict in his observances, but that the rules as to What Is Commanded and What Is Prohibited are there, and at any time may, if Islam is taken more fully to heart (and when, or why, that happens to any individual Muslim is not predictable, least of all by non-Muslims) be enforced. See what the Taliban did to wedding-singers in Afghanistan. See what happens to some music and DVD stores in Hamastan, that is Gaza. See what happens to the RAI singers of Algeria, some of them actually murdered by those most fanatical in their faith.

Whatever musical tradition previously existed in lands then conquered by Islam were soon subject to constraints and the result was the musical impoverishment we see today.»

(Oud)

Ver Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música, Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música (addendum), Música e teologia: Pio X - Tra le sollecitudini, Música e teologia: Pio X - Tra le sollecitudini (2), Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música - ilustração, A aversão à música como característica do diabólico.

Friday, March 26, 2010

Gloria, laus, et honor
tibi sit Rex Christe Redemptor
cui puerile decus prompsit
hossana pium.

Ingrediente Domino in sanctam civitatem,
hebræorum pueri resurrectionem vitæ
pronuntiantes cum ramis palmarum
'Hossana ― clamabant ― in excelsis!'.
A glória, o louvor e a honra,
sejam para ti, Rei Cristo Redentor,
ao qual o piedoso orgulho infantil
cantou: 'Hossana!'

Entrando o Senhor na cidade santa,
as crianças dos hebreus anunciavam
a Ressurreição e a Vida,
e com ramos de palmeira, exclamavam:
'Hossana nas alturas!'


Stabat mater dolorosa
juxta Crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.

Cuius animam gementem,
contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

O quam tristis et afflicta
fuit illa benedicta
mater Unigeniti!

Quæ mærebat et dolebat,
et tremebat, dum videbat
nati pœnas inclyti.

Quis est homo qui non fleret,
Christi matrem si videret
in tanto supplicio?

Quis non posset contristari
piam Matrem contemplari
dolentem cum Filio?

Pro peccatis suæ gentis
vidit Iesum in tormentis,
et flagellis subditum.

Vidit suum dulcem Natum
moriendo desolatum,
dum emisit spiritum.

Eia, Mater, fons amoris
me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

Fac, ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum
ut sibi complaceam.

Sancta Mater, istud agas,
crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati,
pœnas mecum divide.

Fac me tecum pie flere,
crucifixo condolere,
donec ego vixero.

Juxta Crucem tecum stare,
et libenter sociare
in planctu desidero.

Virgo virginum præclara,
mihi iam non sis amara,
fac me tecum plangere.

Fac, ut portem Christi mortem,
passionis fac consortem,
et plagas recolere.

Fac me plagis vulnerari,
Cruce hac inebriari,
ob amorem Filii.

Inflammatus et accensus,
per te, Virgo, sim defensus
in die iudicii.

Fac me cruce custodiri,
morte Christi præmuniri,
confoveri gratia.

Quando corpus morietur,
fac, ut animæ donetur
Paradisi gloria in sempiterna sæcula.
Amen.
Estava em pé a Mãe dorida,
chorando junto à cruz,
enquanto o Filho pendia.

Cuja alma gemendo,
entristecida e doendo,
um gládio atravessou.

Oh! Quão triste e afligida
foi aquela bendita,
a Mãe do Unigénito!

A qual se enlutava e sofria,
e tremia enquanto via
as penas do Glorioso dela nascido.

Qual é o homem que não choraria,
se visse a mãe do Cristo
em tamanho suplício?

Quem não se entristeceria
ao contemplar a piedosa mãe,
sofrendo com o Filho?

Pelos pecados da sua gente,
ela viu Jesus em tormentos,
do flagelo sendo súbdito.

Viu o seu doce bebé
morrendo desolado,
e entregando o espírito.

Ó Mãe, fonte do amor,
faz-me sentir a força da dor,
para contigo me enlutar.

Faz que o meu coração arda
de amor por Cristo Deus,
para Lhe agradar.

Santa Mãe, para que faças isso,
fixa as chagas do Cruxifixo
no meu coração, com força.

Do teu Filho ferido,
que por mim se dignou padecer,
as penas divide, comigo.

Faz-me chorar contigo, piedosamente,
e condoer-me do Cruxifixo,
enquanto eu fôr vivo.

Desejo estar contigo, junto à Cruz,
e com gosto me associo
ao teu pranto.

Ó Virgem das virgens, ilustríssima,
agora não me sejas amarga,
deixa-me chorar contigo.

Faz que eu carregue a morte de Cristo,
faz-me consorte da Paixão,
e que eu de novo cultive as Chagas.

Faz-me ferido de Chagas,
que nesta Cruz eu me embriague
com o amor do teu Filho.

Abrasado e ardendo,
por ti, Virgem, seja eu defendido
no dia do Juízo.

Faz-me ser guardado pela Cruz,
pela morte de Cristo fortalecido,
e pela graça confortado.

Quando o corpo morrer,
faz que à alma seja dada
a glória do Paraíso para todo o sempre.
Ámen


Verbe égal au Très-Haut,
notre unique espérance,
jour éternel de la terre et des cieux,
de la paisible nuit
nous rompons le silence:
Divin sauveur, jette sur nous les yeux.

Répands sur nous le feu
de ta grâce puissante
Que tout l'enfer fuie au son de ta voix
Dissipe le sommeil d'une âme languissante
Qui la conduit à l'oubli
de tes lois!

Ô Christ ! sois favorable à ce peuple fidèle,
Pour te bénir maintenant assemblé ;
Reçois les chants qu'il offre
à ta gloire immortelle,
Et de tes dons qu'il retourne comblé.
Verbo igual ao Altíssimo,
nossa única esperança,
dia eterno da terra e dos céus,
eis que rompemos o silêncio
da noite quieta:
Divino Salvador, dirige-nos o teu olhar!

Espalha sobre nós o fogo
da tua graça potente,
que todo o inferno fuja ao som da tua voz.
Dissipa o sonho duma alma lânguida,
que a conduz ao esqueciemento
das tuas leis!

Ó Cristo, sê favorável a este povo fiel,
Para te bendizer agora reunido.
Recebe os cantos que ele oferece
à tua glória imortal,
e os teus dons, que ele devolve satisfeito.

Sunday, March 21, 2010

A aversão à música como característica do diabólico

Uma intuição de um leitor do blogue Jihad Watch ― referida na entrada anterior, a propósito da proibição da música no islão ―, segundo a qual a aversão do islão à música denuncia que estamos perante um culto satânico, leva-nos a publicar uma observação feita por Jordi-Agustí Piqué i Collado, no seu livro Teologia i música: propostes per a un diàleg ― do qual existe uma versão em castelhano ―, a propósito da obra de Hildegard de Bingen, monja, teóloga, mística, poetisa e compositora do séc. XII.
Diz o teólogo e músico catalão a páginas 98 e 99 do seu magnífico livro [tradução nossa do original catalão(1)]:
«Em Ordo [Virtutum], os diferentes personagens, patriarcas, virtudes, almas, vão cantando as suas contribuições para o drama, que tem pretensões de universalidade. Porém, um dos personagens não canta: este personagem é o diabo. Este personagem é caracterizado pelo não cantar, apenas pode declamar. Surge acompanhado pela indicação: Strepitus Diaboli ad animam illa [O Diabo estrepitoso dirige-se à alma]. A explicação de este recurso não pode dever-se a um mero recurso cenográfico. Na verdade, é revelador um episódio da vida de Hildegard, quando, já abadessa, permite que seja enterrado no cemitério do convento o corpo de um homem anteriormente excomungado. O clérigo de Magúncia, proibiu a comunidade de Hildegard de receber a comunhão eucarística e de cantar o ofício. Numa carta dirigida ao clérigo inquisidor, Hildegard elabora uma teologia particular do acto de cantar. Escreve Hildegard que Adão vem a perder o dom de cantar o louvor de Deus pelo pecado, perdendo a semelhança com as vozes angélicas. Os homens santos e os profetas hão-de descobrir na arte humana alguns géneros musicais que recordavam os modelos divinos. Porém, o diabo, ao ouvir cantar novamente o homem e ao perceber que este começava a recordar-se, por meio da música, das harmonias celestes, vai atemorizar o homem e tentar perturbar e destruir a beleza do louvor divino. Razão pela qual a abadessa diz ao clérigo que proibiu a música: "os prelados haviam de ser mais cuidadosos na hora de cerrar, como uma sentença, a boca de uma qualquer assembleia que canta a Deus [...], não se dê o caso de que esteja ajudando à obra de Satanás".»

Hildegard escrevendo sob inspiração divina
(Codex de Rupertsberger do Liber Scivias)





(1) - «A l'Ordo els diferents personatges, patriarques, virtuts, ànimes, van cantant les seves aportacions al drama que té pretensions d'universalitat. Però un dels personatges no canta: aquest personatge és el diable. Aquest per­sonatge és caracteritzat pel no cantar, només pot declamar. Va acompanyat de la indicació: Strepitus Diaboli ad animam illa. L'explicació a aquest re­curs no pot deixar-se a un mer recurs escenogràfic. De fet és il.luminador un episodi de la vida d'Hildegarda, quan, ja abadessa, va deixar enterrar cementiri el cos d'un home en el passat excomunicat. El clergue de Magún­cia va prohibir a la comunitat d'Hildegarda sumir la comunió eucarística i cantar l'ofici. En una carta dirigida al clergue inquisidor desenvolupa una particular teologia de l'acte de cantar. Escriu Hildegarda que Adam va per­dre el do de cantar la lloança de Déu pel pecat, perdent la semblança amb les veus angèliques. Homes sants i profetes van trobar en l'art humà alguns gèneres musicals que recordaven els models divins. Però el diable, en sentir cantar de nou l'home i que aquest començava a recordar, per mitjà de la música, les harmonies celestes, es va espantar i va intentar torbar i destruir la bellesa de la lloança divina. Per la qual cosa, l'abadessa diu al clergue que prohibeix la música: "els prelats haurien de ser més curosos a l'hora de tancar amb una sentència la boca de qualsevol assemblea que canta a Déu [...], no sigui que estiguin ajudant l'obra de Satanàs".»

Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música - ilustração

Esta entrada serve de ilustração a estoutra, onde se trata a fundo da amplamente desconhecida proibição islâmica da música (salvo um par de excepções: a festa de Eid al-Adha e as cerimónias nupciais), a qual, mesmo não sendo habitualmente posta em prática, é absolutamente incontroversa e vinculativa, pelo que é realista esperar que qualquer regime islâmico mais rigorosamente observante das restrições impostas pelo Alcorão e pela Suná ― assim como pela jurisprudência que emana destas fontes ― a venha a aplicar. Recordo que, como visto na referida entrada, a prática da música é equiparada ao consumo de álcool e à fornicação, donde não ser despropositado temer que as práticas musicais venham a merecer das autoridades islâmicas mais zelosas uma efectiva proibição:
«A student has died after being beaten to death by pro-Taliban radicals at a Pakistani university.
The beating, which occurred earlier in the week, culminated in the death of Anan Khan, who attended the University of Engineering & Technology in Peshawar.
He was severely beaten with several other students at the university by members of a student wing of the hard-line Jamiat-e Islami party.
Witnesses have said the IJT attacked Adnan for playing music.
Members of the IJT have a record of breaking up music appreciation functions and dance parties on the campus.»
Via Jihad Watch, onde se pode ler uma entrada sobre a proibição da música no islão (mais curta e menos maçadora que a nossa), acompanhada de uma outra notícia que a ilustra.

Finalizo com uma citação do ayatollah Khomeni e invocando o comentário de um leitor do Jihad Watch a uma notícia sobre esta matéria ― a proibição da música contida no Alcorão e na Suná do profeta do islão.
Dizia o ayatollah Khomeni:
«Allah did not create man so that he could have fun. The aim of creation was for mankind to be put to the test through hardship and prayer. An Islamic regime must be serious in every field. There are no jokes in Islam. There is no humor in Islam. There is no fun in Islam. There can be no fun and joy in whatever is serious.»
Dizia o leitor (infelizmente não consigo encontrar a citação) que foi quando tomou conhecimento da proibição islâmica da música que se convenceu de que o islão é um culto satânico.
Esta intuição do ignoto leitor do Jihad Watch leva-nos a escrever a próxima entrada.

Friday, February 5, 2010

Música e teologia: Pio X - Tra le sollecitudini (2)

Jordi-Agustí Piqué i Collado, em Teologia i música: propostes per a un diàleg, (do qual existe uma versão em castelhano) comenta, na página 29, o citado excerto de Tra le sollecitudini (tradução minha do catalão(1)):
«Neste fragmento estão concentradas as ideias principais que caracterizam a música como litúrgica, quer dizer, como elemento activo e essencial ― em sentido profundo ― da acção litúrgica: revestir e tornar mais eficaz a palavra dos textos litúrgicos; excitar a devoção dos fiéis e prepará-los para receber os frutos da graça que emanam dos sagrados mistérios celebrados.

A preparação para receber a graça da vida litúrgica celebrada, parece-nos o elemento mais inovador do texto de Pio X, a par da famosa referência à participação activa. Facilmente se pode entender que a participação no canto por parte da assembleia é uma das aplicações directas desta intuição. Ainda assim, parece-nos muito mais profunda a intuição de Pio X se lida em conexão com a questão da moção interna à devoção. Esta preparação-participação activa não se reduz à materialidade do canto, quer dizer, não só através da acção de cantar activamente se participa, mas também através da acção da escuta: escuta da palavra, escuta da música, que se complementam intimamente se a música é verdadeiramente litúrgica. Ambas se comentam, se identificam e penetram entre si e no mais íntimo do crente, que vai entrando, em atitude de escuta e de abertura à graça santificante, abrindo-se, portanto, à vivência do encontro com Cristo. É uma dinâmica semelhante àquela que se realiza nos sacramentos. A música tem, assim, uma função plena de significado, já que, por meio da experiência estética, se abre ao mundo da beleza do Mistério de Deus e abre, eficazmente, o coração à escuta da Palavra, ao encontro com Cristo e à realização da obra de salvação operada na liturgia. No fundo estamos a falar de uma dimensão "quase" sacramental.

Estes elementos parecem-nos elementos chave na concepção do MP [motu proprio Tra le sollecitudini] e são fundamentais para a sua recta interpretação. Tudo o resto deriva deles, justamente interpretados: a bondade das formas musicais, a alternância gregoriano-polifonia, a santidade da música, a música moderna, o órgão, a função ministerial dos cantores, tudo há-de ser lido de acordo com esta atenção à palavra celebrada, à adoração daquilo que se celebra e à abertura às fontes da graça que o homem e a mulher chamados à comunhão com Deus recebem na vida sacramental e litúrgica. Neste sentido, as limitações próprias do seu tempo no texto do MPleia-se, a discriminação da mulher, a proibição de certos instrumentos, a adopção de determinadas formas e arquétipos ― adquirem uma importância menor, a ponto de deixar de ser consistentes.

A situação actual da música na liturgia, e aqui podemos especificar na liturgia católica, está longe de responder às intuições do Papa Pio X. Talvez uma releitura do seu pensamento, de acordo com a riqueza
da SC, [constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia] nos oferecesse elementos para um novo trabalho de compreensão da função da música na liturgia.»


Hino Pange Lingua
Texto de São Tomás de Aquino.

(1) - «En aquest fragment s'hi concentren les principals idees que denoten la música com a litúrgica, és a dir com a element actiu i essencial - en sentit profund - de l'acció litúrgica: revestir i fer més eficaç la paraula dels textos litúrgics; excitar la devoció dels fidels i preparar-los per a rebre els fruits de la gràcia que emanen dels sants misteris celebrats.

De la relació de la música amb la paraula i amb els textos litúrgics es pot entendre que la música, en cert sentit, es constitueix com la primera hermeneuta de la paraula celebrada i ens fa comprendre la Paraula, ens condueix a la contemplació i l'admiració del Misteri celebrat en la litúrgia. Cal només fer atenció a algunes melodies gregorianes per a observar com és d'íntima la relació entre melodia i text i de quina manera més sapiencial la música en subratlla el sentit. La himnòdia gregoriana, amb la distribució dels modes i l'alternança coral subratlla, expressa i crea l'ambient de reflexió, meditació (ruminatio) dels textos que l'Església posa en boca dels fidels per a santificar les hores.

L'excitació a la devoció dels fidels mostra la concepció de la música com a creadora d'emoció que mou l'«afecte». Aquest és un tema molt apreciat per filòsofs i pels Pares de l'Església. La inclinació a la devoció ve a subratllar de quina manera més sàvia l'Església sempre ha utilitzat la música per a arribar al cor, a l'interior, al lloc on la simple predicació amb paraules no pot arribar; de quina manera més sàvia l'Església ha fet de l'art un dels seus principals elements de catequesi.

La preparació per a rebre la gràcia de la vida litúrgica celebrada ens sembla l'element més nou del text de Pius X, juntament amb el ja famós de la participació activa. Fàcilment es pot entendre que la participació en el cant per part de l'assemblea és una de les aplicacions directes d'aquesta intuïció. Tot i així, ens sembla molt més profunda la intuïció de Pius X si es llegeix en connexió amb la qüestió moció interna a la devoció. Aquesta preparació-participació activa no es redueix a la materialitat del cant, és a dir, no tan sols en l'acció de cantar activament es participa, sinó que ve exemplificada amb l'acció de l'escolta: escolta de la paraula, escolta de la música, que es complementen íntimament si la música és veritablement litúrgica". Ambdues es comenten, s'identifiquen i penetren entre si en el més íntim del creient, que va entrant, en actitud d'escolta i d'Obertura a la gràcia santificant, obrint-se, per tant, a la vivència de l'encontre amb Crist. És una dinàmica semblant a allò que es realitza en els sagraments. La música té així una funció plena de significat ja que, per mitjà de l'experiència estètica, s'obre al món de la bellesa del misteri de Déu i obre, eficaçment, el cor a l'escolta de la Paraula, a l'encontre amb Crist i a la realització de l'obra de la salvació operada en la litúrgia. En el fons estem parlant d'una dimensió «quasi» sacramental de la música.

Aquests elements ens semblen claus en la concepció del MP i són fonamentals per a la seva recta interpretació. Tota la resta resulta derivat d'això i justament interpretat: la bondat de les formes de la música, l'alternança gregorià-polifonia, la santedat de la música, la música moderna, l'orgue, la funció ministerial dels cantors, tot s'ha de llegir d'acord amb aquesta atenció a la paraula celebrada, a l'adoració d'allò que se celebra i a l'obertura a les fonts de la gràcia que l'home i la dona cridats a la comunió amb Déu reben en la vida sacramental i litúrgica. En aquest sentit les limitacions pròpies del seu temps del text del MP - llegeixi's la discriminació de la dona, la prohibició de certs instruments, l'adopció de detertninades formes i arquetips - apareixen tan menors que deixen de ser consistents.

La situació actual de la música en la litúrgia, i aquí sí que podem especificar en la litúrgia catòlica, dista molt de respondre a les intuïcions del Papa Pius X. Potser una relectura del seu pensament, d'acord amb la riquesa de la SC, ens oferiria elements per a un nou treball de comprensió de la funció de la música en la litúrgia.»

Monday, February 1, 2010

Sunday, January 31, 2010

Mais CDs e menos blogs

«Alfonso X fue calificado con el sobrenombre de "Sabio" merecidamente por su obra excepcional en la historia de Europa como legislador, promotor de las artes, la cultura y las ciencias. Interesado por los cálculos astronómicos, historia, leyes, juegos y poesía, hace traduzir del árabe o del latín todo lo que satisface su universal curiosidad. Durante su reinado se inician o terminan las grandes catedrales góticas de León, Burgos y Toledo, así como innumerables templos en el estilo más propio de su reinado: el mudéjar. De su creación poética, frente a sus poesías profanas, destacan las Cantigas de Santa María, escritas en gallego-portugues, lenguaje lírico de la corte castellano leonesa. La colección de 427 poemas contenidos en las Cantigas de Santa María, por su combinación de música, miniaturas y texto, ha sido considerada por los estudiosos con calificaciones cómo: Bíblia estética del siglo XIII, el repertorio medieval musical más importante de Europa y el cancionero mariano más rico de toda la Edad Media.

Por lá implicación personal y la unidad estilística, las Cantigas parecen obedecer a la mano directa del Rey como autor principal dentro de su "scriptorium", donde se presenta como trovador de la Señora celestial.

Las Cantigas de Santa María se escribieron para ser cantadas e interpretadas por los juglares de la corte, como puede verse en las miniaturas y leerse en sus textos. Música cortesana, también apropiada para ser interpretada en templos e incluso para ser danzadas en ocasiones. Unas dos mil miniaturas en cuatro códices ilustran la vida cotidiana del siglo XIII y nos muetran, entre otros detalles, los aspectos musicales y organológicos, claves para afrontar hoy la interpretación de esta magna obra.


Os que bõa morte morren e son quitos de peccados,
son con Deus e con ssa Madr' e senpre fazen seus mandados.

Desto direi un miragre que mostrou Santa Maria
por un mui bon cavaleiro, que en ela ben creya
e a que seus enemigos quiseron matar un dia,
se ll' ela 'nton non valesse, que val sempr' aos coitados.

El muit' omeziad' era e senpr' apos el andavan
aqueles seus enemigos, porque mata-lo cuidavan;
mas un dia que o soo eno camyno achavan,
a el correr-se leixaron, dando muy grandes braados,

Dizendo-lle: "Morreredes." Mas el nonos asperava,
ca tragia bon cavalo que o deles alongava;
e log' a hua hermida foi da Virgen, u entrava,
que é cabo Pena-Cova, u jazian soterrados

Omees bõos do tempo que sse perdera a terra,
que os mouros gaannaran, e os mataran na guerra.
E ali Santa Maria o anparou, que non erra,
en com' agor' oyredes, se esteverdes calados.

Ele de Santo Domingos de Silos enton sayra,
e quando foi na carreyra e, como vos dixe, vira
seus enemigos pos ele viir e que lles fugira,
entrou naquela ermida dizendo: "Os meus pecados,

Madre de Deus, son tan muitos que, se me non perdõares
tu que o ben fazer podes, ou sse me non anparares
destes que me matar queren, par Deus, muitos de pesares
te farán os malcreentes que andan desasperados."

Enquant' el esto dizia, os cavaleiros mui toste
chegaron polo mataren; mas viron estar grand' oste
ant' a porta da eigreja, que era en u recoste,
e tod' aquel logar cheo era d'omees armados

Que llo defender querian, se ss' eles a el chegassen.
E quand' eles esto viran, med' ouveron que se achassen
mal de Deus e de sa Madre se y mais fazer provassen,
e afastaron-s' afora, ca foron muit' espantados.

Ca ben viron que aqueles que o ajudar veeran,
en como toste chegaron, que deste mundo non eran;
e porende repentidos foron de quanto fezeran
e perdõaran-lle logo, e foron del pedõados,

E de ssuu se tornaron. E pois as gentes souberon
da terra este miragre, muy gran prazer end' ouveron;
e todos comunalmente a Santa Maria deron
loores, porque son senpre os seus por ela guardados.

Santa María, la gran Dama del amor caballaresco del rey trovador Alfonso X, ayuda, aconseja, convierte y salva a los caballeros con problemas que acuden a su amparo.

Un caballero era perseguido por otros caballeros enemigos suyos en venganza, pues había matado a muchos hombres. Un día que le encontraron solo, le persiguieron hasta la ermita de Peñacoba, cerca del monasterio de Santo Domingo de Silos en Burgos. Al entrar en la iglesia asustado pidió a Santa María que le defendiera. Al llegar un poco más tarde los perseguidores encontraron ante la puerta de la iglesia caballeros armados que llenaban el lugar dispuestos a defenderle. Se trataba de buenos cristianos de la época en que se perdió aquella tierra a manos de los moros, que yacían sepultados en la ladera de la iglesia después de muertos en batalla. Los enemigos al darse cuenta de que eran caballeros de otro mundo y ver la protección de Santa María al caballero, se perdonaron mutuamente y se reconciliaron.»

CSM-233 in "Rosa de las Rosas - Cantigas de Santa Maria, Alfonso X el Sabio (1221-1284)", Pneuma. Paula Vega, Patricia Paz: soprano y coro. Luis Vincent: contratenor, coro y canno. Cesar Carazo: tenor, coro y viola de brazo. Gemán Torrelas: bajo y coro. Jaime Muñoz: ajabeba. Enrique Almendros: chorus (dulcimer). Luis Delgado: santur, cántara. Eduardo Paniagua: flauta tenor, címbalos y director del agrupamento "Musica Antigua".

Nossa Senhora dos Mártyres, rogai por nós.

Friday, January 29, 2010

Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música (addendum)

Acerca do lugar da música na história do islão e do seu parco contributo para o património musical da humanidade, ver O sermão no sopé das pirâmides - IV e O sermão no sopé das pirâmides - VI: Fjordman sobre Música.

Dessas entradas, alguns excertos:

Do blogger Zartoist, do sítio Faith Freedom International:
«As for poetry and music, most of the great “Islamic” poets (again mostly Persians were considered heretics by Islamic authorities, and music is prohibited in Islam as a vain “useless” activity. Poetry and music survived in civilizations such as Persia DESPITE Islam.»
Do historiador Bernard Lewis, citado por Fjordman:
«Muslim musicians devised no standard system of notation, and their compositions are therefore known only by the fallible and variable medium of memory. There is no preserved corpus of classical Islamic music comparable with that of the European musical tradition. All that remains is a quite extensive theoretical literature
on music, some descriptions and portrayals of musicians and musical occasions by writers and artists, a number of old instruments in various stages of preservation, and of course the living memory of long-past performances

De Charles Murray, também citado por Fjordman num outro artigo:
«Just as linear perspective added depth to the length and breadth of painting, polyphony added, metaphorically, a vertical dimension to the horizontal line of melody.»
Já agora, a conclusão que nos atrevemos a tecer:
«Em suma: a música no ocidente desenvolveu-se a partir da herança hebraica e da cultura grega; o seu desenvolvimento foi marcado pela invenção de um rigoroso sistema de notação que lhe permitiu alcançar um nível de elaboração harmónica impossível nas tradições puramente orais.»
Não deixe de ler Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música.

Thursday, January 28, 2010

Para uma verdadeira compreensão do islão: a proibição da música

É muito provável que esta entrada surpreenda a maioria dos leitores, mesmo os mais familiarizados com o islão.
Eu fiquei surpreendido; não julguei que o fanatismo insano do islão fosse ao ponto de proibir a música. Ingenuidade minha: se o islão proíbe o retrato na pintura e proíbe a escultura de formas humanas - artes tão estimadas pela cultura ocidental - por que razão havemos de ficar surpreendidos pelo facto do islão proibir a música?

Passemos à fundamentação do que estamos a afirmar.
Colo passagens de uma análise do problema publicada no sítio Islam Q&A, em resposta à pergunta de um leitor. Faço notar que o autor do texto se socorre das mais altas autoridades do islão para fundamentar as suas afirmações, começando pelo Alcorão - palavras textuais de Alá dirigidas a Mafoma pela voz do arcanjo Gabriel - e suas interpretações por teólogos respeitados pela umá; seguindo para as ahadith e sua exegese; concluindo com referências aos fundadores de duas das maiores escolas sunitas, a Maliki e a Hanbali.
Evidence of prohibition in the Qur’aan and Sunnah:

«Allaah says in Soorat Luqmaan (interpretation of the meaning):

“And of mankind is he who purchases idle talks (i.e. music, singing) to mislead (men) from the path of Allaah…” [Luqmaan 31:6]

The scholar of the ummah, Ibn ‘Abbaas (...) said: this means singing. Mujaahid (...) said: this means playing the drum (tabl). (Tafseer al-Tabari, 21/40).

Al-Hasan al-Basri (...) said: this aayah was revealed concerning singing and musical instruments (lit. woodwind instruments). (Tafseer Ibn Katheer, 3/451).

Al-Sa’di (...) said: this includes all manner of haraam [n.ed.: proibido] (...) singing and musical instruments of the Shaytaan; and musical instruments which are of no spiritual or worldly benefit. (Tafseer al-Sa’di, 6/150)

Ibn al-Qayyim (...) said: The interpretation of the Sahaabah [n.ed.: os Companheiros do profeta Mafoma] and Taabi’in [n.ed.: os Seguidores], that ‘idle talk’ refers to singing, is sufficient. This was reported with saheeh isnaads [n.ed.: conhecimento autêntico das ahadith] from Ibn ‘Abbaas and Ibn Mas’ood. Abu’l-Sahbaa’ said: I asked Ibn Mas’ood about the aayah [n.ed.: prodígio, milagre, os versículos do Alcorão por antonomásia] (interpretation of the meaning), ‘“And of mankind is he who purchases idle talks’ [Luqmaan 31:6]. He said: By Allaah, besides Whom there is no other god, this means singing – and he repeated it three times. It was also reported with a saheeh isnaad from Ibn ‘Umar (...) that this means singing. There is no contradiction between the interpretation of “idle talk” as meaning singing and the interpretation of it as meaning stories of the Persians and their kings, and the kings of the Romans, and so on, such as al-Nadr ibn al-Haarith used to tell to the people of Makkah to distract them from the Qur’aan. Both of them are idle talk. Hence Ibn ‘Abbaas said: “Idle talk” is falsehood and singing. Some of the Sahaabah said one and some said the other, and some said both. Singing is worse and more harmful than stories of kings, because it leads to zinaa and makes hypocrisy grow (in the heart); it is the trap of the Shaytaan, and it clouds the mind. The way in which it blocks people from the Qur’aan is worse than the way in which other kinds of false talk block them, because people are naturally inclined towards it and tend to want to listen to it. The aayah condemn replacing the Qur’aan with idle talk in order to mislead (men) from the path of Allaah without knowledge and taking it as a joke, because when an aayah of the Qur’aan is recited to such a person, he turns his back as if he heard them not, as if there were deafness in his ear. If he hears anything of it, he makes fun of it. All of this happens only in the case of the people who are most stubbornly kaafirs and if some of it happens to singers and those who listen to them, they both have a share of this blame. (Ighaathat al-Lahfaan, 1/258-259).»

Depois desta série de interpretações do significado de Alcorão 31:6, o texto prossegue com a análise de um outro versículo alcorânico:

«Allaah says (interpretation of the meaning):

“[Allaah said to Iblees:] And befool them gradually those whom you can among them with your voice (i.e. songs, music, and any other call for Allaah’s disobedience)…” [al-Israa’ 17:64]

It was narrated that Mujaahid (...) said: “And befool them gradually those whom you can among them with your voice” – his voice [the voice of Iblees/Shaytaan] is singing and falsehood. Ibn al-Qayyim (...) said: This idaafah [possessive or genitive construction, i.e., your voice] serves to make the meaning specific, as with the phrases [translated as] “your cavalry” and “your infantry” [later in the same aayah]. Everyone who speaks in any way that is not obedient to Allaah, everyone who blows into a flute or other woodwind instrument, or who plays any haraam kind of drum, this is the voice of the Shaytaan. (...). (Ighaathat al-Lahfaan).»

E ainda mais um versículo alcorânico:
«Allaah says (interpretation of the meaning):

“Do you then wonder at this recitation (the Qur’aan)?

And you laugh at it and weep not,

Wasting your (precious) lifetime in pastime and amusements (singing)”

[al-Najm 53:59-61]

‘Ikrimah (...) said: it was narrated from Ibn ‘Abbaas that al-sumood [verbal noun from saamidoon, translated here as “Wasting your (precious) lifetime in pastime and amusements (singing)”] means “singing”, in the dialect of Himyar; it might be said “Ismidi lanaa” [‘sing for us’ – from the same root as saamidoon/sumood] meaning “ghaniy” [sing]. And he said (...): When they [the kuffaar] heard the Qur’aan, they would sing, then this aayah was revealed.

Ibn Katheer (...) said: Allaah says (interpretation of the meaning) “Wasting your (precious) lifetime in pastime and amusements (singing)” – Sufyaan al-Thawri said, narrating from his father from Ibn ‘Abbaas: (this means) singing. This is Yemeni (dialect): ismad lana means ghan lana [sing to us]. This was also the view of ‘Ikrimah. (Tafseer Ibn Katheer).»

Acompanhemos o autor deste comentário, agora na análise de uma importante hadith:
«The Messenger of Allaah (peace and blessings of Allaah be upon him) said:

“Among my ummah there will certainly be people who permit zinaa, silk, alcohol and musical instruments…” (Narrated by al-Bukhaari ta’leeqan, no. 5590; [...]).

(...)

This hadeeth indicates in two ways that musical instruments and enjoyment of listening to music are haraam. The first is the fact that the Prophet (...) said: “[they] permit” which clearly indicates that the things mentioned, including musical instruments, are haraam according to sharee’ah, but those people will permit them. The second is the fact that musical instruments are mentioned alongside things which are definitely known to be haraam, i.e., zinaa [n.ed.: fornicação] and alcohol: if they (musical instruments) were not haraam, why would they be mentioned alongside these things? (adapted from al-Silsilah al-Saheehah by al-Albaani, 1/140-141)»

Esta observação é de extrema importância, uma vez que a ignorada proibição da música pelo islão é equiparada nesta hadith à bem conhecida e universalmente aplicada proibição das bebidas alcoólicas no islão.

Voltemos à análise da questão central desta entrada, a proibição da música pelo islão, tratando ainda desta hadith:

«Shaykh al-Islam (Ibn Taymiyah) (...) said: This hadeeth indicates that ma’aazif are haraam, and ma’aazif means musical instruments according to the scholars of (Arabic) language. This word includes all such instruments. (al-Majmoo’, 11/535).

Ibn al-Qayyim (...) said: And concerning the same topic similar comments were narrated from Sahl ibn Sa’d al-Saa’idi, ‘Imraan ibn Husayn, ‘Abd-Allaah ibn ‘Amr, ‘Abd-Allaah ibn ‘Abbaas, Abu Hurayrah, Abu Umaamah al-Baahili, ‘Aa’ishah Umm al-Mu’mineen, ‘Ali ibn Abi Taalib, Anas ibn Maalik, ‘Abd al-Rahmaan ibn Saabit and al-Ghaazi ibn Rabee’ah. Then he mentioned it in Ighaathat al-Lahfaan, and it indicates that they (musical instruments) are haraam

Atente-se à quantidade de autoridades invocadas. Adiante:

«The views of the scholars (imaams) of Islam

Al-Qaasim (...) said: Singing is part of falsehood. Al-Hasan (...) said: if there is music involved in a dinner invitation (waleemah), do not accept the invitation (al-Jaami by al-Qayrawaani, p. 262-263).

Shaykh al-Islam Ibn Taymiyah (...) said: The view of the four Imaams is that all kinds of musical instruments are haraam. It was reported in Saheeh al-Bukhaari and elsewhere that the Prophet (...) said that there would be among his ummah those who would allow zinaa [n.ed.: fornicação] , silk, alcohol and musical instruments, and he said that they would be transformed into monkeys and pigs… None of the followers of the imaams mentioned any dispute concerning the matter of music. (al-Majmoo’, 11/576).

Al-Albaani (...) said: The four madhhabs [n.ed.: as quatro escolas da jurisprudência islâmica] are agreed that all musical instruments are haraam. (al-Saheehah, 1/145).»

Note-se que o autor desta análise assinala a unanimidade, quanto a esta matéria, entre as quatro escolas da jurisprudência islâmica. Continuemos:

«Ibn al-Qayyim (...) said: The madhhab of Abu Haneefah is the strictest in this regard, and his comments are among the harshest. His companions clearly stated that it is haraam to listen to all musical instruments such as the flute and the drum, even tapping a stick. They stated that it is a sin which implies that a person is a faasiq (rebellious evil doer) whose testimony should be rejected. They went further than that and said that listening to music is fisq (rebellion, evildoing) and enjoying it is kufr (disbelief). This is their words. They narrated in support of that a hadeeth which could not be attributed to the Prophet (...). They said: he should try not to hear it if he passes by it or it is in his vicinity. Abu Yoosuf said, concerning a house from which could be heard the sound of musical instruments: Go in without their permission, because forbidding evil actions is obligatory, and if it were not allowed to enter without permission, people could not have fulfilled the obligatory duty (of enjoining what is good and forbidding what is evil). (Ighaathat al-Lahfaan, 1/425).»
Urge interromper esta explanação para realçar a importância da posição da escola Hanafi a respeito desta matéria: o seu extremismo vai ao ponto de legitimar a invasão de propriedade alheia para impedir que seja tocada música.
Presumo que esta obrigação de pôr cobro à grave falta de tocar música e de cantar possa estar na origem da proibição imposta aos dhimmi de cantar nas suas celebrações com tal intensidade que se oiça no exterior (cf. Para uma verdadeira compreensão do islão: os dhimmi: judeus e cristãos sob domínio islâmico); e na tentativa de aplicar a sharia em diversos países ocidentais, como esta:

«They praised the Lord by singing their hearts out and chanting prayers at packed services.

But members of a congregation in north London have abandoned their church - because of a council noise ban.

The Immanuel International Christian Centre was ordered to keep its amplified music and sermons quieter after a neighbour complained.

But the church's pastor Dunni Odetoyinbo claimed Waltham Forest council had only told them to keep quiet so as not to offend the Muslim community....

In court Mrs Odetoyinbo, 55, claimed a council officer had asked her 'to keep the noise down so as not to offend the Muslim community'.

But magistrates rejected the appeal, and ordered the church to pay £2,250 costs.

It can now only play music for 20 minutes on a Sunday between 11.30am and 11.50pm....»

Esta pretensão muçulmana de fazer calar o culto cristão parece estar longe de ser um caso isolado.
Prossigamos com a afirmação de que os rendimentos obtidos como honorários por tocar música são como os rendimentos da prostituição:

«Ibn ‘Abd al-Barr (...) said: Among the types of earnings which are haraam by scholarly consensus are ribaa, the fee of a prostitute, anything forbidden, bribes, payment for wailing over the dead and singing, payments to fortune-tellers and those who claim to know the unseen and astrologers, payments for playing flutes, and all kinds of gambling. (al-Kaafi).»

A seguir, afirma-se que a construção e a venda de instrumentos musicais também são proibidas e que a sua destruição, mesmo tratando-se de propriedade alheia, é permitida. Esta posição é defendida pela escola Maliqui:

«Ibn Taymiyah (...) said: It is not permissible to make musical instruments. (al-Majmoo’, 22/140). And he said: According to the majority of fuqahaa’, it is permissible to destroy musical instruments, such as the tanboor [a stringed instrument similar to a mandolin]. This is the view of Maalik and is the more famous of the two views narrated from Ahmad. (al-Majmoo’, 28/113). (...) Abu Thawr, al-Nu’maan – Abu Haneefah (...) – and Ya’qoob and Muhammad, two of the students of Abu Haneefah said: (...) This is our view. And he said: musical instruments are the wine of the soul, and what it does to the soul is worse than what intoxicating drinks do. (Majmoo’ al-Fataawa, 10/417).

Ibn Abi Shaybah (...) reported that a man broke a mandolin belonging to another man, and the latter took his case to Shurayh. But Shurayh did not award him any compensation – i.e., he did not make the first man pay the cost of the mandolin, because it was haraam and had no value. (al-Musannaf, 5/395).

Al-Baghawi (...) stated in a fatwa that it is haraam to sell all kinds of musical instruments such as mandolins, flutes, etc. (...) (Sharh al-Sunnah, 8/28)»

O autor da análise prossegue defendendo a autenticidade das ahadith que proíbem a música e respondendo a outras críticas:

«Some people even have the nerve to suggest that the Sahaabah [n.ed.: os Companheiros do profeta Mafoma] and Taabi’in [n.ed.: os Seguidores] listened to singing, and that they saw nothing wrong with it!

Al-Fawzaan (...) said: We demand them to show us saheeh isnaads going back to these Sahaabah [n.ed.: os Companheiros do profeta Mafoma] and Taabi’in [n.ed.: os Seguidores], proving what they attribute to them. (...).

Some of them said that the ahaadeeth which forbid music are full of faults. (...) . Ibn Baaz (...) said: The ahaadeeth which were narrated concerning music being haraam are not full of faults as has been claimed. Some of them are in Saheeh al-Bukhaari which is the soundest of books after the Book of Allaah (...).

All the imaams agreed on the soundness of the ahaadeeth which forbid singing and musical instruments, apart from Abu Haamid al-Ghazzaali, but al-Ghazzaali did not have knowledge of hadeeth (...).

Some of them said that the scholars forbade singing because it is mentioned alongside gatherings in which alcohol is drunk and where people stay up late at night for evil purposes.

Al-Shawkaani (...) said: The response to this is that mentioning these things in conjunction does not only mean that what is haraam is what is joined together in this manner. Otherwise this would mean that zinaa [n.ed.: fornicação], as mentioned in the ahaadeeth, is not haraam unless it is accompanied by alcohol and the use of musical instruments.»
Passemos à conclusão tirada pelo autor desta análise:
«Perhaps – for fair-minded and objective readers – this summary will make it clear that the view that music is permissible has no firm basis. There are no two views on this matter. So we must advise in the best manner, and then take it step by step and denounce music, if we are able to do so. We should not be deceived by the fame of a man in our own times in which the people who are truly committed to Islam have become strangers. The one who says that singing and musical instruments are permitted is simply supporting the whims of people nowadays, as if the masses were issuing fatwas and he is simply signing them! If a matter arises, they will look at the views of fuqahaa’ on this matter, then they will take the easiest view, as they claim. Then they will look for evidence, or just specious arguments which are worth no more than a lump of dead meat. How often have these people approved things in the name of sharee’ah which in fact have nothing to do with Islam!

Strive to learn your Islam from the Book of your Lord and the Sunnah of your Prophet. Do not say, So-and-so said, for you cannot learn the truth only from men. Learn the truth and then measure people against it. (...) May what we have written above heal the hearts of the believers and dispel the whispers in the hearts of those who are stricken with insinuating whispers. May it expose everyone who is deviating from the path of Revelation and taking the easiest options, thinking that he has come up with something which none of the earlier generations ever achieved, and speaking about Allaah without knowledge. They sought to avoid fisq (evildoing) and ended up committing bid’ah [n.ed.: inovação] – may Allaah not bless them in it. It would have been better for them to follow the path of the believers.

And Allaah knows best. (...)»
Concluímos esta entrada sobre a proibição da música no islão antecipando a expectável objecção segundo a qual a putativa proibição islâmica da música não é frequente (diga-se de passagem que já lemos diversas notícias dando conta da destruição de bancas de venda de suportes fonográficos no Paquistão, levados a cabo por taliban) e que é improvável que venha a ser aplicada numa Europa islamizada.
A nossa intenção com esta entrada é pôr em evidência o facto de que o islão é incompatível com o nosso modo de vida; que o problema não está nas pessoas, nos muçulmanos, mas no seu livro e nas suas tradições exegéticas.
E nada nos garante que, caso o islão prevaleça na Europa, esta proibição - como vimos, tão firmemente ancorada no Alcorão, nas ahadith e na jurisprudência islâmica - não venha a ser aplicada.